Eu me sento aqui e sinto essa dor sem medida, na pele, na carne, nos ossos, crua, escorrendo por toda a casa, saindo pelo quintal, encontrando todas as ruas da cidade. Sentindo sem nenhuma fuga, nenhuma droga pra anestesiar, nem remédio ou alguém pra conversar. Apenas eu, deixando despencar pelos olhos e pelos dedos essa coisa que não tem nome, que não tem entendimento e não cabe em lugar nenhum.
Caminhar por essa dor, concebendo a sua violência e envergadura, compreender como ela toma conta de cada poro e cada espaço de mim, em estado completamente desperto, lúcida de como ela me arrasa, me arrasta, me aniquila, é entrar em desatino estando consciente.
