segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Dissabor

 


Eu me sento aqui e sinto essa dor sem medida, na pele, na carne, nos ossos, crua, escorrendo por toda a casa, saindo pelo quintal, encontrando todas as ruas da cidade. Sentindo sem nenhuma fuga, nenhuma droga pra anestesiar, nem remédio ou alguém pra conversar. Apenas eu, deixando despencar pelos olhos e pelos dedos essa coisa que não tem nome, que não tem entendimento e não cabe em lugar nenhum.

Caminhar por essa dor, concebendo a sua violência e envergadura, compreender como ela toma conta de cada poro e cada espaço de mim, em estado completamente desperto, lúcida de como ela me arrasa, me arrasta, me aniquila, é entrar em desatino estando consciente.

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