Não há laços entre nós.
Nada restou. Eu, restei.
Nem mesmo uma sombra vaga de qualquer tipo de amor. Eu, amei.
Não há saudade, desejo ou ilusão. Eu, sonhei.
Não há dor, nem mesmo uma lembrança permaneceu. Eu, fiquei.
Não há choro nem desespero. Só o meu rosto lavado. Salgado.
Apenas um mofo se instala e toma conta do pouco que fomos, não fomos. Eu, sou.
E esse gosto metálico tomando conta dos dias, inundando meus olhos que buscam teu vulto, mãos que tateiam na penumbra teu fantasma que me assombra, me espreita pelas esquinas da cidade vazia, me cansa, me cala, e me condena a lembrar o que nunca sequer viveu.

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