Tomei um resto de coragem do copo envelhecido na mesa de cabeceira e me levantei. Andei alguns passos até a cozinha, me movendo no silêncio da casa, que cheia, parece vazia, e fiz um chá. Um pouco de calor talvez caia bem nesse corpo frio.
No peito o velho vazio, que por tão conhecido, não deveria doer-me tanto.
Sento-me aqui fora, observando o quadro da minha vida, acendo um cigarro, e as perguntas são as mesmas perguntas com as mesmas não-respostas de todo o sempre. Após tantos anos, eu ainda não sei a resposta. Confesso que estou quase virando as costas e atravessando a rua de mim mesma, pois me cansa essa busca de lugar nenhum.
Vai, é dor e pronto. Só dor. Dor e vazio, vazio e dor. E quem se importa de onde vem? Ninguém se importa. De que adianta ter a resposta, se eu sempre acabo tropeçando e caindo. Não faz sentido algum, nem tem que fazer. É dor. E ponto.

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