Eu me sinto sozinha. Sim, me sinto sozinha, e não posso nem preciso negar essa solidão que me invade, arrastando tudo, entre todos, pelas esquinas da cidade. Busco entre lugares e coisas e pessoas alguma coisa que aplaque esse vazio, vazio ao qual já deveria ter me acostumado, afinal, eu sempre fui só.
Não, não, longe de mim vir aqui dizer a vocês que é impossível ser feliz só. Mas a minha solidão “é fera, a solidão devora”.
Não adianta, os discursos não adiantam pra mim. São vazios também, como praticamente tudo. Vazio cheio de dor. E é sobre dor que escrevo.
De viver, e viver, passando o tempo pra passar pela vida.
Esperando sempre algo que não vem, por que não vem? Será que sou eu, essa criatura mesquinha, que não labuta o suficiente? Me falta. Algo falta, sempre vai faltar, por mais que eu corra e corra e corra atrás desse resquício de vida que me resta. Vida?
O que eu busco tanto pra preencher esse buraco, onde vive, do que se alimenta?
É, as vezes eu ainda posso rir. Tenho sentindo falta de tantas coisas. Sei que terei tantas coisas ainda pela frente para sentir essa privação, essa omissão de todos os lugares em que estive e todas as pessoas que transitaram pela minha loucura. Algumas que marcaram tanto de tão bom, outras que devastaram florestas, atearam fogo ao universo. Até aqui tenho sobrevivido.
Me falta o gosto do café. O cheiro, a voz que chamava. Minha fantasia mais primordial. Meu conceito, minha ideia, meu ideal. Há poucas verdades nessas nossas trajetórias, mas duas são reais (e as que preferirem eleger pra vocês). Amor e escolhas.
Mas olha só, daí vem outra verdade. Posto que não é tudo que depende de nós, há de se escolher suas batalhas. É possível vencer a guerra? A lida de todos os dias?
Péra, achei mais uma verdade aqui (plena de razões).
Mãe, depois que você se foi, o mundo mudou de uma maneira tão estranha que eu não me reconheço mais nele, e você sabe que antes de você partir, bem, eu já me sentia, é, meio assim. É difícil sem você. Por isso além de amor, eu carrego tantos outros fragmentos de sentimentos, que às vezes me esqueço de respirar.
Enfim. Já voltei a mim mesma, a tola sentimental. Uma rocha, que se molda com as ondas do mar. Cria peças arredondadas e outras contusas. Eu sou aquela que sobreviveu.
“A mentira corre metade do mundo até que a verdade a alcance e vista seus sapatos.”

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