Veja bem, eu não sou tão forte assim. Eu sou apenas uma mulher. A força me encontra, mas muitas vezes eu simplesmente faço aquilo que é preciso. Eu resisto, me atrevo, combato em lutas hercúleas, mas também me desespero, e desmorono exaurida. Choro, mas isso quase ninguém vê. E quando amanhece, as lágrimas secam e eu sigo, cometida pela ânsia de querer salvar o outro dele mesmo, como quem ataca moinhos de vento. Que ironia, eu que não encontro maneira de sequer amansar o dragão que faz morada e ressoa em meu peito, e me despedaça, deixando tudo em carne viva.
Eu, que tantas vezes preciso apenas de um pouco de quietude. Mansidão. Silêncio de mim, e sossego daquele olhar que me consome.
Que ao fim de tudo, da noite, do pranto, do amor, mesmo que tomada por angústia, eu possa ser preenchida também de vida. Que depois de cada consumição, as partículas do meu ser possam se reagrupar e sussurrar uma lição, ainda que árdua, aos meus ouvidos atentos, ainda que exaustos. E que eu não perca a capacidade de sentir, ainda que desmedida, de amar, ainda que vulcânica, e de apreciar a vida, ainda que em carne viva.
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