Minha vida é sempre essa constante dor latente, essa eterna montanha russa de sentimentos, bombardeio de fragmentos de ilusões e incertezas.
Minha vida é essa inconstância, essas esquinas escuras, medo do espelho, uma fúria incontrolável que não consigo, ainda que tente, lançar fora do meu peito pesado, angustiado, repleto de dúvidas e de paixões. Frio e calor.
A fumaça que jogo voa etérea e carregada pelos estilhaços da minha alma machucada por minhas próprias mãos pesadas. Ásperas.
Minha vida é esse eterno devaneio, desvairada, mal iluminada pelo verde dos meus olhos, olhos embaçados que tentam iluminar o teu caminho.
Minha vida é sempre um jogar fora, jogar sonhos, brincar de ilusão, ideias perdidas, ideais partidos, despedidas, reencontros tristes daquilo que nunca encontrei.
Estrada enevoada, tempestades onde me lanço cada vez mais ao meio, tropeço e sigo caindo, levantando, caindo, cada vez mais perdida de mim.
Minha vida tem sido essa intensidade, uma imensidão de tudo viver, tudo provar, tudo querer, tem sido essa nada sobrar no final. Tão somente um corpo de mulher mais cansado, uma mente exausta que não se cabe. Apenas mais um tropeço no meio do caminho. Os anos multiplicando-se deixando marcas que pra sempre serão lembradas, posto que vistas na carne.
Porque a névoa com que tento cobrir meu passado e meu futuro não é forte o suficiente quanto a força dos fantasmas que assombram o vazio que carrego no peito. E o desejo de mudar não é maior que a sede e a revolta do meu modo de passar, estúpido jeito meu de escolher sempre a parte mais difícil. E minha busca pela paz que não ouso encontrar não é maior que a guerra que sou.
Texto escrito em 12 de junho de 2001. Seguimos as mesmas Bárbaras.






