quarta-feira, 4 de outubro de 2017



De repente, amorteci.
Amorteceram alma, carne e pulsação.
Pernas e braços já não sentem
Apenas seguem
No peito oco, já não me falam mais as vozes que atormentavam.
O hoje é sempre o meu último dia.
Os olhos não se deslumbram, a alma despiu-se das ilusões.
A boca, cansada, silencia.
Não sei quem sou.
Não quero descobrir.
Desisti da luta, cansaram-me as perguntas.
Tão somente, caminho.
Pequenos passos que me levam, a cada dia, pra longe de mim.
Não sei o que me guia
Não quero descobrir.
Apenas ficar no abrir e no fechar dos olhos
Até que em um instante, se façam ocos
Inteiramente vazios.
Da minha criatura, já não sei.
E nem sinto mais alguma dor.
Vida que goteja pelos dedos.
Suporto
Tolero
Ainda resisto.
Uma sombra de mim.

Daquela que um dia eu fui e sequer cheguei a conceber.

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