Guarda!
Eu te guardo aqui no peito.
E te espero chegar.
Eu vejo aquela tarde de sol, e ainda sinto teu gosto
na boca.
Teu cheiro na pele.
Tua alma pregada na minha.
Mãos que me lavam, braços que me sustentam.
Esse espaço entre os seus dedos...
Me chegam os teus sinais. Não entendo o que me dizem.
Se
fogem, ou procuram teus olhos (meus olhos), é palavra muda em minha boca.
Vai,
tira teu escudo e me descobre.
Deixa-me
ver-te.
Deixa-me
estar, um beijo só...
Guarda!
Que foges de mim, e podes não voltar.
Não
te percas na longitude da minha sombra. Não ocuparei por muito mais tempo esse
lugar.
Escuta,
que um dia me vou. Num fim de tarde apaixonado, um outono qualquer, outros
passos, e me vou...
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