Você
Que mora na rua da minha saudade
Na vereda da minha vontade
Na sombra dos meus anseios
No véu do meu desejo
No calo da minha sede
Nas cordas do meu violão.
Você
Que me desafina a voz
Que me apressa os passos
Que me aperta a fome
Me devora o sono
Estilhaça os ossos
Esbugalha os olhos
Me cala a boca, e a voz.
Você
Que mora nas páginas dos meus livros
No espaço entre as palavras
Nos contos que não escrevi
No fundo do meu espelho.
Você
Que permanece mudo dentro daquilo que nunca terei
Que ergue paredes ausentes
Que tinge de rubro o meu chão.

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